E se você perceber que sua amizade não é tão recíproca?

E se você perceber que se doa muito mais, que manda mais mensagens, que procura mais, que se preocupa mais?

Confesso que pode ser um pouco frustrante.

Mas por que será que nos importamos tanto assim?

Talvez porque, quando gostamos de alguém, esperamos que esse sentimento seja percebido do outro lado também.

Queremos ser procurados.
Queremos que perguntem como estamos.
Queremos que alguém perceba quando alguma coisa não está bem, mesmo quando não falamos nada.

E quando isso não acontece, começamos a nos perguntar se fizemos alguma coisa errada.

“Será que eu me importo demais?”
“Será que estou cobrando demais?”
“Será que essa pessoa realmente considera minha amiga?”

Talvez algumas amizades simplesmente não tenham o mesmo peso para as duas pessoas.

E isso dói.

Porque você pode considerar alguém importante na sua vida enquanto, para essa pessoa, você é apenas alguém de quem ela gosta, mas que não necessariamente procura.

Isso não significa que ela seja uma pessoa ruim.

E também não significa que você seja menos importante por causa disso.

Talvez apenas signifique que vocês estão vivendo essa amizade de maneiras diferentes.

Nem todo mundo vai sentir por nós aquilo que sentimos por eles.
Nem todo mundo vai se lembrar de nós com a mesma frequência.
Nem todo mundo vai perguntar se estamos bem.

E talvez amizade também seja aprender a lidar com isso sem transformar carinho em cobrança.

Porque reciprocidade é importante.

E isso não significa que não seja frustrante.

É frustrante.

Às vezes dói perceber que alguém não se importa conosco da mesma maneira que nos importamos com ela.

Mas talvez amar o próximo seja aprender a lidar com essa frustração sem permitir que ela transforme nosso coração em algo amargo.

Cristo nos ensinou isso de uma maneira muito mais profunda.

Ele nos amou quando ainda éramos pecadores. Não esperou que fôssemos bons o suficiente, que o procurássemos primeiro ou que conseguíssemos oferecer a Ele aquilo que Ele nos ofereceu.

Ele simplesmente nos amou.

Talvez amar o próximo seja também aprender isso.

Amar quando somos correspondidos é fácil.

Difícil é continuar amando quando não recebemos de volta aquilo que esperávamos.

Isso não significa aceitar qualquer coisa, permanecer em relacionamentos que nos fazem mal ou ignorar nossos próprios limites.

Significa apenas não permitir que a falta de reciprocidade transforme nosso coração em algo amargo.

Talvez algumas pessoas não permaneçam tão perto quanto gostaríamos.
Talvez algumas amizades mudem.
Talvez algumas pessoas nunca percebam o quanto fizemos por elas.

Mas ainda podemos escolher amar.

Porque, no fim, não amamos apenas porque o outro merece.

Amamos porque fomos amados primeiro.

E talvez seja justamente essa a diferença entre amar como o mundo ensina e amar como Cristo nos ensinou.