Às vezes, você precisa parar.

Esses dias eu estava com diversas coisas para fazer e com a cabeça cheia de ideias. Ideias que, naquele momento, eu não conseguiria colocar em prática. Então, parei para assistir a um episódio de uma série.

Antes que o episódio terminasse, precisei parar porque minha janela estava sem cortina e a claridade não me permitia enxergar direito o que estava acontecendo na tela. Foi quando tudo ficou em silêncio.

Parei.

Conseguia ouvir apenas o vento assobiando ao passar pela janela e, ao fundo, o som distante dos carros passando pela rua.

Foi quando percebi que aquilo de que eu precisava naquele momento era não fazer nada.

Vivemos em uma época em que a produtividade é reverenciada quase como um novo deus. Se você não está produzindo, parece que está ficando para trás. Precisamos estar ocupados, responder mensagens, cumprir tarefas, aprender alguma coisa, começar um novo projeto, aproveitar cada minuto.

Mas existem momentos em que Deus nos chama para descansar.

E não é fácil parar.

Fomos ensinados a medir nosso dia pelo que conseguimos realizar. Às vezes, quando finalmente temos um tempo livre, sentimos até culpa por não estarmos fazendo alguma coisa. Como se descansar fosse desperdício de tempo.

Não estou dizendo que você deve procrastinar suas tarefas ou viver de maneira preguiçosa. Existem responsabilidades que precisam ser cumpridas. O trabalho é importante. A disciplina é importante. A produtividade também pode ser algo bom.

Mas precisamos aprender a colocar o pé no freio.

Ser produtivo o tempo todo — ou tentar ser — não é saudável. E, talvez mais importante, nossa vida não pode ser reduzida àquilo que conseguimos produzir.

Pode parecer bobagem o que vou dizer, mas às vezes eu abro a janela apenas para olhar as árvores que existem em frente de casa. Fico ouvindo as mais de 60 galinhas na casa em frente, os passarinhos cantando nas árvores e observando o céu mudar de cor enquanto o sol se põe.

São coisas simples.

Mas são presentes de Deus.

Talvez a gente esteja tão ocupado tentando conquistar coisas que já não consegue perceber aquilo que recebeu de graça.

Naquele momento, eu não estava produzindo nada. Não estava resolvendo nenhum problema. Não estava avançando em nenhum projeto.

Eu estava apenas ali.

Ouvindo o vento.

E, por alguns minutos, isso foi suficiente.

Talvez você também precise parar.

Não para abandonar suas responsabilidades, mas para lembrar que você é mais do que aquilo que produz.

Então, hoje, meu convite para você é simples:

Pare.
Abra a janela.
Ouça.

Talvez você descubra que, enquanto estava ocupado tentando fazer alguma coisa, havia muito para perceber.